A Uine Deuprapou está lançando seu primeiro EP. São 5 faixas, feitas em parceria com o Estúdio BASE e o selo Frangote Records.
Abaixo, quem quiser pode baixar o EP, com as mp3 e o encarte (com ficha técnica e letras). Ou, se preferir, pode ouvir as músicas diretamente da internet, sem precisar baixar os arquivos. Estão, também, disponíveis vídeos de algumas músicas. É só escolher...
O baterista da banda, Ricardo Cury, escreveu uma pequena biografia musical, descrevendo a trajetória percorrida até a chegada desse EP. Segue a história...
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Só em
1999, aos 19 anos, Eduardo Penna comprou o seu primeiro instrumento. Dez reais
num violão velho que só tinha cinco cordas, comprado na mão de um amigo da
faculdade. Estudava Publicidade e Propaganda. Junto com o violão ganhou de
cortesia uma revistinha com algumas cifras. Aprendeu três acordes, depois
quatro, cinco, comprou uma guitarra e começou a montar suas bandas. Em 2001 tocava na Grande Abobora, mas logo
sentiu necessidade de ter outra, pois algumas músicas que ele fazia não se
encaixavam no som daquela banda. O punk rock que ouvia no início da adolescência
ainda pulsava e exigia ser colocado pra fora. Chamou um baterista e um baixista
da faculdade que ouviam Ramones o tempo todo e montou a Los Canos. Ele fazia as
musicas e Cicinho e Gil iam dizendo sim e não... Dessa forma, conseguiram criar
algo uniforme, um som característico: “O plano era ser uma banda virtual,
porque Cicinho, eu e Gil tínhamos outras bandas, e como a Los Canos era muito
tosca, a gente não imaginava que conseguiria fazer shows”, diz Penna. Aos três se uniram Mary e Michael. O trio virou quintento.
Fizeram
o primeiro show no mitológico bar Calypso, em Salvador. A idéia era ser o
primeiro e ultimo, inclusive com uma simulação de briga (como num episodio de
Anos Incríveis), mas no final todos gostaram tanto do show, que resolveram
continuar e gravar aquelas musicas toscas. Entraram no estúdio e fizeram um disquinho-demo
que chamou a atenção de muita gente, inclusive do músico Gabriel Thomaz
(Autoramas), que produzia naquele momento o festival Ruído e os chamou pra
tocar. Assim, o terceiro show da banda tosca foi no Rio de Janeiro em um
festival ao lado de grupos com alguns anos de estrada como Detetive (SP), Matanza
(RJ) e Forgotten Boys (SP), e tendo na platéia o já consagrado produtor musical
Tom Capone. “Conseguir levar ele pra ver o Los Canos no meu festival”, diz
Gabriel.
Antes do
show disseram a eles que Tom não saia de casa há tempos por conta da gravidez
da sua mulher e que ele foi lá só pra vê-los tocar. Tocaram tensos. Saíram do
palco achando o show horrível. O próprio Capone os consolou: “É o terceiro show
de vocês. Se não fosse tosco não teria graça. Vocês são de verdade.”
Duas
cantoras da Bahia também gostaram muito da banda. A cantora Érika Martins
(ex-Penélope) chegou a gravar “Nada sem você”:
“Acho
Penna um dos compositores mais inspirados da atualidade. As leras são espertas,
com humor inteligente e uma ingenuidade que adoro”, diz Érika.
Pitty
recomendava eles na MTV:
Fizeram
o terceiro show, o quarto e não pararam mais, tocando em Salvador e nos
festivais por todo o Brasil. Gravar um disco “de verdade” era o próximo passo a
ser dado. E foi dado. Mas para Penna seria o último passo. Musica era só
diversão e um disco geraria mais shows, mais profissionalismo, mais cobranças...
“Eu
estava num momento estudar e trabalhar mais, tocar menos”.
Com sua
saída, a banda ainda continuo, mas não durou muito tempo. De lá pra cá já se
passaram cinco anos. Penna, depois de ter concluído a faculdade de Comunicação,
se formou em Geografia e está morando no Rio de Janeiro, mas não deixou a
diversão de lado. Em 2011, antes de viajar pro Rio, recebeu de pagamento do
estúdio onde trabalhava alguns horários. Chamou alguns amigos (entre eles, esse
que vos escreve) e gravou suas musicas toscas. Assim surgiu a Uine Deuprapou –
nome que é outra referencia a Anos Incríveis, programa que Penna gosta muito.
Esse primeiro EP se chama “Despedida”. Nome sugestivo, pois dessa vez, ele
promete, não vai ter nem primeiro show.